cérebro reptiliano

Segundo a Teoria do Cérebro Trino, o cérebro humano se divide em três diferentes unidades funcionais: o cérebro reptiliano, responsável pelas funções fisiológicas do corpo e pelos reflexos simples, como reações agressivas e outros comportamentos sujeitos a condicionamento; o sistema límbico, que controla o comportamento emocional do indivíduo; e o neocórtex, que dá aos seres humanos a capacidade de realizar raciocínios lógicos e processar a linguagem.

O neocórtex é também conhecido como cérebro racional, sendo a estrutura que diferencia o homem dos demais mamíferos.

Quando observamos o comportamento dos motoristas no trânsito, percebemos um grande número de gestos completamente desprovidos de razão. Alguns até mesmo vão na direção contrária do que seria um gesto racional.

Como explicar, por exemplo, a estranha pressa do motorista em chegar logo até um semáforo vermelho para ali parar e ficar esperando? Ele já consegue ver o sinal vermelho mas, em vez de ir diminuindo a velocidade ou pelo menos deixar de acelerar, ele continua acelerando, troca de marcha, acelera de novo, até ser obrigado a parar totalmente o carro no semáforo.

Ou então o motorista que buzina para o ciclista à sua frente, sem considerar que a faixa logo à sua esquerda está livre para fazer a ultrapassagem, como faria se em vez do ciclista fosse ali um automóvel em baixa velocidade.

Aliás, sendo o responsável pelos comportamentos agressivos de qualquer animal, o cérebro reptiliano é quem produz a grande maioria das buzinadas e das outras formas de agressão possíveis através da linguagem do automóvel.

Outro gesto produzido nas estruturas primitivas do cérebro é o do motorista que, estando o sinal ainda fechado, começa a andar só de perceber que o carro ao seu lado se mexeu, por mero reflexo condicionado.

Comportamentos como esses não parecem ser comandados pelo neocórtex, já que não são resultantes de raciocínios.

São, ao contrário, típicos exemplos de condicionamento. São respostas automáticas a estímulos. O gesto acontece simplesmente porque já aconteceu milhares de vezes. São, portanto, comportamentos produzidos pelo cérebro reptiliano. Uma lagartixa não faria diferente.

Obviamente sabemos por que isso acontece: ansiedade. A mesma ansiedade que faz alguém ficar ligando para uma pessoa que está demorando a chegar, só para perguntar em que ponto do caminho ela está. É evidente que o telefonema não vai fazer com que o outro chegue mais rápido. A pessoa que liga até sabe disso. Mas a ansiedade torna qualquer um insensível a argumentos racionais.

Por falta de uso, o neocórtex vai atrofiando. Pense em milhões de cérebros reptilianos conectados a estruturas de aço de uma tonelada e motores potentes. Isso é o fenômeno conhecido como caos do trânsito.

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