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cruz da babilônia

A Cruz da Babilônia é uma série de quatro roteiros que, projetados sobre a sinistra mancha de concreto, formam uma intrigante figura.

imagem: Google Earth

Os quatro destinos, Evangelista de Souza, Taiaçupeba, Canguera e Jarinu, estão a mais ou menos setenta quilômetros contados a partir da Praça do Ciclista, em São Paulo. Todos eles estão também relativamente próximos a uma estação de trem, o que nos finais de semana pode facilitar a volta.

Evangelista de Souza, o braço sul da Cruz da Babilônia, é uma vila ferroviária abandonada no extremo sul do município, no distrito de Engenheiro Marsilac. Nesta viagem você não sai do município em momento algum, mas vai pedalar por um bom tempo na área rural de São Paulo. É um trajeto predominantemente plano, apenas com algumas subidas longas na Avenida Teotônio Vilela.

Taiaçupeba, o braço leste da Cruz da Babilônia, é um bairro de Mogi das Cruzes, já bem próximo à divisa com Bertioga, no alto da serra. Para chegar lá você atravessa a imensa zona leste paulistana e alguns municípios pequenos, sem sair da Região Metropolitana de São Paulo. É o trajeto mais plano e fácil dos quatro, atravessando a zona leste pela ciclovia.

Canguera, o braço oeste da Cruz da Babilônia, é um bairro de São Roque localizado no final da Estrada do Vinho, em uma região de pequenas serras. Nesta viagem você atravessa vários municípios da Região Metropolitana e finalmente sai dela por Itapevi. Dos quatro, é o trajeto de maior ascensão total e também o que tem a subida mais inclinada, já bem perto do destino.

Jarinu, o braço norte da Cruz da Babilônia, é um município localizado entre Jundiaí e Atibaia, totalmente fora da Região Metropolitana de São Paulo. É talvez a viagem mais tranquila das quatro, e apesar de a ascensão total ser relativamente grande, não há subidas muito inclinadas. É também um trajeto muito agradável, com paisagens naturais variadas.

Precisando tomar vento na cara? Basta escolher uma direção. Foi assim que nasceram estas quatro viagens.

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canguera

A região de Canguera, no município de São Roque, começou a ser povoada no final do século XIX por famílias de viticultores. Em 1917 é erguida a primeira capela e, em 1918, a primeira escola. O bairro fica no final da Estrada do Vinho, que atravessa uma região muito agradável, repleta de quintas, vinícolas e sítios.

É possível evitar quase totalmente a Raposo Tavares indo pela SP-274 até Mailasqui, que está a uns cinco quilômetros da Estrada do Vinho. Nesta estrada há alguns morros, sendo um de inclinação razoável e que terá de ser enfrentado tanto na ida quanto na volta. A recompensa são as várias descidas longas e divertidas, em que a bicicleta pode atingir altas velocidades com segurança.

Neste trajeto você sai de São Paulo no rumo oeste pela região de Presidente Altino. Ali, começa a acompanhar a ferrovia numa sequência de avenidas (SP-312) que atravessa Osasco, Carapicuíba e chega em Barueri, onde começa a Estrada Velha de Itapevi (SP-274). Esta atravessa Jandira por cima de um espigão onde você terá várias vistas para o vale do Tietê, a serra da Cantareira, o Pico do Jaraguá e a serra de Santana do Parnaíba.

Depois do centro de Itapevi o caminho fica bem mais agradável, pois você está saindo da Região Metropolitana de São Paulo. O bairro de São João Novo é um bom lugar para uma parada, e aos sábados tem feira na praça principal. Logo você chegará na Raposo Tavares (SP-270). O trecho até o começo da Estrada do Vinho é praticamente só descida. Em horários de pouco tráfego é possível até mesmo seguir pela faixa principal, evitando o acostamento, que tem muita areia e sujeira que pode furar pneu. Na Estrada do Vinho a tranquilidade é total. Pedale nas subidas com paciência, você está quase lá.

canguerafoto: setembro/2011

Ao chegar em Canguera, irá encontrar um lugar pacato com casas antigas, igreja, estação, muitos restaurantes turísticos e a Estrada de Ferro Mairinque-Santos. Nesse trecho a ferrovia está ativa somente para transporte de carga. Passam aí vários trens por dia, vindos do Mato Grosso e interior de São Paulo, cada um com centenas de toneladas de grãos, e que vão passar por Evangelista de Souza e então descer a Serra do Mar rumo ao porto de Santos.

Se você quer algo diferente dos restaurantes turísticos, encontrará uma excelente comida caseira no sítio da Dona Conceição, que fica um pouco depois do centrinho de Canguera. Você verá à direita um acesso de terra e uma placa falando em pão caseiro. Poderá almoçar na varanda com uma incrível vista para um vale com casas e lagos. De vez em quando, ouvirá o trem que passa praticamente dentro do sítio, logo atrás da horta.

São aproximadamente 65km da zona oeste de São Paulo até Canguera. Na volta, você pode pegar o trem em Itapevi (verifique horários em que bicicletas são permitidas), são cerca de 33km até a estação. A subida na Raposo Tavares é longa mas bem menos inclinada que os morros da Estrada do Vinho. Porém, como ocorre com alguma frequência, nas longas subidas o acostamento é transformado em faixa para veículos lentos, e pedalar pela sarjeta é bastante perigoso. Vá pelo acostamento da pista que desce, prestando atenção nas entradas de propriedades e paradas de ônibus.

Canguera é o braço oeste da Cruz da Babilônia.

=== POST SCRIPTUM ===

Infelizmente, o mencionado sítio que servia comida caseira foi reconfigurado há alguns anos. Chama-se ‘Restaurante Casa da Vovó Conceição’. Passou a ser um lugar que oferece almoço a preços de restaurante executivo da avenida Paulista e vende cerveja a preço de bar badalado na Vila Olímpia. Segundo me foi informado por uma funcionária, a mudança já tem uns 3 anos.
(fevereiro / 2017)

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via do sossego

Quando foi descoberta, a rota conhecida por Via do Sossego passou a ser uma alternativa segura de ligação entre Pinheiros e Itaim, antes feita pela avenida Faria Lima, um lugar particularmente tenso. Assim, pelo contraste com a rota anterior, o nome pareceu natural aos viajantes que ali passavam. Especialmente para quem vem das regiões de Perdizes ou Lapa, é o modo mais agradável de chegar, por exemplo, à Vila Olímpia, onde está uma das entradas da ciclovia do rio Pinheiros.

A rota atravessa um daqueles bairros que têm muitas árvores, casas gigantescas e nenhum pedestre na rua. A declividade baixa faz o caminho agradável na descida e na subida. As ruas são tortuosas e cheias de lombadas, que limitam a velocidade com uma eficácia que, em São Paulo, as leis não conseguem.

Na descida (em verde no mapa), o trajeto começa na rua Atlântica (para quem vem pela avenida Brasil) ou na Joaquim Antunes (para quem vem de Pinheiros). Seguindo pela Groenlândia, haverá um semáforo e a rua Polônia começa à direita (a indicação do nome da rua é pouco clara nesse ponto). A sequência então é: Polônia, Áustria, Itália, Rússia. Sem qualquer esforço, você logo estará cruzando a Nove de Julho e entrando no Itaim, de onde poderá seguir rumo a Vila Olímpia, Brooklin, Santo Amaro.

Na subida (em lilás no mapa), chegando pela Bandeira Paulista, a rota é: Alemanha, Inglaterra, Venezuela. A partir daí, segue-se para Pinheiros ou Perdizes pela Brasil ou para a Paulista via Bela Cintra.

Fique atento nas confluências sem semáforos e nas rotatórias.

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aldeia de carapicuíba

Na época da fundação da Vila de São Paulo, falava o Padre Anchieta em “doze aldeias, não muito grandes, de índios, a uma, duas e três léguas por água e por terra”. Nesses locais as missões de catequização foram se estabelecendo, e acabavam se transformando também em refúgios contra a violência dos bandeirantes. Habitada inicialmente pelos índios Guaianases, a Aldeia de Carapicuíba foi oficialmente fundada em 1580. É a única das doze aldeias que não foi totalmente destruída.

Apesar de estar muito próxima à Raposo Tavares, o melhor caminho de bicicleta é pelas avenidas que acompanham a linha do trem. O roteiro continua pela avenida Integração, estrada do Cabreúva e avenida Inocêncio Seráfico, passando por regiões bastante movimentadas da cidade de Carapicuíba. Parece haver uma opção pela avenida que segue no sentido sul paralela ao rodoanel, e depois pela avenida Marginal do Ribeirão.

Partindo da zona oeste de São Paulo, são aproximadamente 24km. A ponte do Jaguaré tem tráfego de veículos grandes e pesados, geralmente em alta velocidade. Pela avenida Corifeu de Azevedo Marques, siga até a divisa com Osasco. Conhecendo, é possível também seguir por dentro do bairro do Jaguaré. No final da avenida principal do Parque Continental você encontra a via férrea na altura da estação Presidente Altino. O trecho paralelo à via é plano e bem tranquilo. O rodoanel é a referência para pegar a avenida Integração, à esquerda. Pouco depois de ela mudar de nome, na estrada do Cabreúva estará a única subida acentuada do trajeto. A avenida Inocêncio Seráfico é movimentada e os veículos motorizados têm pouca mobilidade, o que dá uma certa segurança para o ciclista. Após uma longa descida você avistará uma grande área verde. Encontre o palco com arquibancada de cimento e daí será possível avistar, logo ali em cima, a entrada para o largo da Aldeia.

O trajeto de ida tem pouco menos de uma hora. Na volta, pegue a avenida Marginal do Ribeirão, cruze o viaduto sobre o rodoanel e siga paralelo a ele, no sentido norte, até encontrar novamente a linha do trem.

Estive lá em um primeiro sábado do mês, e por isso havia um palco armado e várias barracas com comida e bebida. No restaurante chileno, você pode comer várias empanadas de carne, as verdadeiras. Bom mesmo é escolher um boteco aberto, pedir uma cerveja e tomar sentado num banco de madeira olhando a igrejinha com cruzeiro em frente.

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