SP-312

Moro na beira da Estrada de Ytu.

Seu primeiro trecho é reto e plano, até que ela encontra uma pequena ponte sobre o Córrego Pirajussara Mirim. Passada a ponte, começa a subir em direção ao divisor que separa as águas do Ribeirão Pirajussara e do Ribeirão Jaguaré. É nessa subida que, ao fim de uma curva em S, a estrada tangencia a rua de casa.

Bem ali no cume do divisor, começa a Estrada da Represa de Cotia, que deriva para sudoeste e continua pelo alto do morro, enquanto a Estrada de Ytu toma o rumo noroeste e desce seguindo o riozinho do lado de lá. Alguns quilômetros depois, cruzará a divisa saindo do município de São Paulo.

O mapa mostra o local em que a Estrada de Ytu parte da Avenida Dr. Vital Brasil, pouco antes de seu final no Instituto de Butantan.

Imagem: Mappa Topographico do Município de São Paulo. Sara Brasil S/A, 1930. CLIQUE PARA AMPLIAR

Há também uma via um pouco mais estreita e sinuosa passando na entrada do Instituto de Butantan, denominada ‘Antigo trecho da estrada de Osasco’. Tal nome sugere que, na época em que foi feito o mapa, essa via já estivesse caindo em desuso, provavelmente devido à migração de seu tráfego para a Estrada de Ytu, mais larga e reta, bem ao gosto do progresso. Ao sul da Estrada de Ytu está o Morro do Querosene, bem visível pelas linhas de altitude e já com o arruamento que existe hoje. A leste do morro, a várzea do Ribeirão Pirajussara e, na parte inferior do mapa, o trecho inicial da Estrada São Paulo – Paraná, atual Raposo Tavares. Quase cem anos depois, a Estrada de Ytu se chama hoje avenida Corifeu de Azevedo Marques, sendo parte do trecho urbano da SP-312.

Rodovia radial paulista, a SP-312 tem origem no marco zero da capital e termina na cidade de Itu. Em seu trecho rural, é mais conhecida como Estrada dos Romeiros, cujo ano oficial de inauguração é 1922.

Podemos sugerir que, partindo do centro de São Paulo, a raiz da SP-312 seja a rota formada pela rua da Consolação e pelas avenidas Rebouças, Eusébio Matoso, Vital Brasil e naturalmente a Corifeu de Azevedo Marques.

Cruzada a divisa ela atravessa, na forma de grandes avenidas, os municípios de Osasco, Carapicuíba e Barueri, para só então sair da área urbana e ganhar paisagem rural. É aí que aparecem os primeiros marcos quilométricos de estrada. A quilometragem indicada aí de fato corresponde, de maneira bem aproximada, à distância do marco zero da capital até esse ponto num trajeto feito por essas vias.

Interessante também notar como essa sequência de avenidas, especialmente a partir da Vital Brasil, é hoje bastante usada por linhas intermunicipais de ônibus com destino a municípios vizinhos. Apesar das sucessivas alterações tanto no sistema viário quanto no itinerário das linhas, feitas ao longo desses anos todos pelas administrações públicas, há também forças de permanência, atuando de baixo para cima, nos usos da cidade.

Entradas, saídas, itinerários e conexões entre localidades tendem a persistir no tempo, são uma forma de memória coletiva. Em seus deslocamentos diários, as pessoas vão inscrevendo seus percursos na paisagem habitada.

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