produto interno bruto

Quando se afirma que um país cresceu, o que está sendo dito é que o PIB (produto interno bruto) aumentou. O PIB é um indicador que mede a atividade econômica de um país (ou estado ou cidade) e é obtido pela soma de todos os bens e serviços produzidos no território em questão.

Uma das numerosas limitações do uso do PIB como indicador é que ele só mede os bens e serviços envolvidos em transações monetárias. O trabalho de uma empregada doméstica é contado no PIB (pois é um trabalho remunerado) mas o trabalho doméstico realizado por uma dona de casa não é. Como brinca o economista Ladislau Dowbor em suas palestras, “se eu caso com a minha empregada, o PIB diminui”.

Repete-se muito, tanto na mídia quanto nas conversas das pessoas, a ideia de que a economia tem que crescer. Estando aceito esse pressuposto, todas as decisões são avaliadas de acordo com o impacto que produzem no PIB. Se algo contribui para que o país cresça, isso é bom.

Muito bem. É preciso então lembrar de algumas coisas de que as pessoas não costumam gostar mas que também fazem o país crescer.

A poluição atmosférica é boa para o PIB, pois melhora as vendas de remédios e aparelhos para doenças respiratórias. A poluição das águas é boa para o PIB, pois fortalece a ideia de que a água engarrafada é mais saudável que a água da torneira tratada e filtrada. Epidemias são boas para o PIB, pois obrigam os governos a comprarem lotes bilionários de vacinas e medicamentos produzidos pela indústria farmacêutica privada, aumentando a atividade econômica.

A falta de sentido é boa para o PIB, pois aumenta o consumo de produtos de moda, brinquedos eletrônicos, antidepressivos e barras de chocolate. O medo é bom para o PIB, pois vende portões mais altos, câmeras, serviços de segurança, automóveis, seguros, blindagem e mais uma infinidade de itens adquiridos em decisões absolutamente irracionais, pois o medo é uma sensação processada pelo cérebro reptiliano.

No último grau de perversidade, guerras são boas para o PIB, pois a reconstrução movimenta bastante a economia, além evidentemente de todo o dinheiro gasto para sanar os horrores causados. Não é à toa que os EUA mantêm uma política externa de promoção constante de guerras em todos os lugares do planeta.

Quando se afirma que um país cresceu, em nenhum momento se está querendo dizer que a vida das pessoas está mais feliz, que as cidades estão mais agradáveis, que as pessoas estão se alimentando melhor ou veem mais sentido em sua atividade profissional.

Até porque, colher frutos de uma horta urbana, ir a pé para o trabalho, tomar água direto na fonte, curar uma dor com um remédio preparado em casa, fazer o próprio pão, encontrar os amigos em espaços públicos, tudo isso se produz através de transações não monetárias, e portanto é péssimo para o PIB.

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