tempos difíceis

Um depoimento provável.

Hoje eu não vivo sem meu GPS. Para qualquer lugar que eu vá, ele me diz o caminho a fazer.

E fico lembrando daqueles tempos difíceis em que não existia GPS.

A gente perdia um tempão pensando no melhor caminho até o destino. Tinha que aprender nomes de ruas, olhar placas e referências, tinha que conhecer bairros desconhecidos.

Tinha que pegar o guia da cidade e abrir aqueles mapas todos, mapas de papel, que coisa mais tosca, mapas de papel!

Tinha que aprender a se localizar, tinha que entender aquelas ruas e travessas, tinha que imaginar as distâncias… Nossa, como eu conseguia?

A gente tinha que desenvolver a tal da inteligência espacial… Sim, já me disseram que é assim que chama. Que nome esquisito e complicado esse, inteligência espacial, só de pensar nele já me dá preguiça…

Mas o pior de tudo era ter que olhar para fora do carro.

Eu criava um roteirinho e tinha que segui-lo. Tinha que olhar pela janela, enxergar nomes de ruas, placas, árvores, casas, pessoas… Tinha que ver aquilo tudo que está lá fora, na rua, tudo tão precário e sujo.

A cidade, esses espaços públicos, feios e mal cuidados, a gente tinha que olhar pra isso tudo!

Hoje, não. Hoje eu tenho meu GPS, não preciso mais olhar para fora do meu carro.

Fico só pensando no tempo que eu gastava encontrando meu caminho.

Quanto tempo perdido, que eu hoje posso aproveitar jogando Candy Crush.

1 comentário

Arquivado em cultura urbana

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