evangelista de souza

A Estrada de Ferro Mairinque-Santos (EFMS) foi concluída em 1937, passando a ser uma alternativa à São Paulo Railway (SPR) na ligação entre o litoral e o interior do estado. Enquanto a SPR vai pelo ABC paulista e desce a serra por Paranapiacaba, a EFMS percorre os municípios de São Roque, Cotia, Itapecerica da Serra e Embu-Guaçu, passa pelo extremo sul da capital e segue um trajeto com 27 túneis na descida da Serra do Mar, passando por Itanhaém, São Vicente e Praia Grande. Na década de 50 foi construído o ramal Jurubatuba, que atravessa São Paulo margeando o Rio Pinheiros, é hoje administrado pela CPTM e funciona apenas no trecho entre Grajaú e Osasco.

No encontro entre o ramal Jurubatuba e o tronco principal da Mairinque-Santos está a estação Evangelista de Souza. Ali, trens com mais de sessenta vagões carregados de produtos agrícolas fazem uma parada para manutenção de rotina antes de descerem a serra rumo ao porto de Santos. No entorno da estação há ainda algumas casas habitadas, restos do que já foi uma pequena vila ferroviária, e outras parcial ou totalmente em ruínas. Houve uma escola no local. O bar, que já funcionou na plataforma da estação, ocupa hoje uma das casas e é cercado por mato, vagões estacionados e montes de peças de ferro pelo chão.

A partir do bairro de Pinheiros, são praticamente 60km até Evangelista de Souza. Depois de Interlagos, o trajeto é praticamente paralelo ao traçado do ramal Jurubatuba. Siga a Teotônio Vilela, que em Varginha passa a se chamar Sadamu Inoue, a antiga Estrada de Parelheiros. Pouco depois de cruzar as obras do rodoanel, você está no centro de Parelheiros, onde há uma igreja com data de 1898. A Estrada de Colônia passa ao largo da cratera e acaba no bairro fundado pelos alemães. Na Estrada da Barragem há um marco que sinaliza o início da APA Capivari-Monos. Nesse ponto já é preciso certo esforço mental para lembrar que você está no município de São Paulo. O bairro da Barragem é bastante animado, e ali você encontra a represa Billings em um de seus pontos mais ao sul. Aí acaba o asfalto, e você segue pela Estrada de Evangelista de Souza até o ponto em que passa a pedalar pelo leito ferroviário abandonado, que em muitos pontos já perdeu um ou os dois trilhos e praticamente todos os dormentes de madeira.

chegando em evangelista de souzafoto: dezembro/2009

Logo você chegará ao encontro dos trilhos, o lugar em que o ramal Jurubatuba junta-se ao tronco principal da Mairinque-Santos. Há nesse ponto um marco de cimento, e você está a poucos metros da estação.

Na Teotônio Vilela há subidas longas e alguns trechos perigosos, em que automóveis, ônibus e caminhões passam muito perto dos ciclistas. Depois de pegar a Estrada de Parelheiros praticamente não há mais situações estressantes, e o ar já é outro. Na Estrada de Colônia há uma inusitada ciclovia com pouco mais de um quilômetro de extensão. Em Colônia Paulista há um restaurante bastante simpático. Pode ser um bom lugar para uma parada, você ainda está a mais ou menos uma hora do seu destino. Em caso de necessidade, há uma bicicletaria quase em frente ao restaurante!

Depois da Barragem, fique atento à sua direita, logo você passará a seguir os trilhos. Nesse trecho há grandes poças de água ou lama. Em alguns momentos será necessário atravessá-las, pode ser um momento bastante divertido. Tenha cuidado, principalmente se você estiver usando pneus lisos.

Você está no meio do mato. Verá vacas e, com alguma sorte, um céu muito azul. O clima da região é classificado como Tropical Superúmido, chove muito por aí.

Na volta, sendo sábado ou domingo, existe a opção de pegar o trem no Grajaú. Há também como voltar pela Imigrantes: na Barragem começa a Estrada do Curucutu, início de uma rota que vai cruzar a rodovia uns três quilômetros ao sul do pedágio.

Evangelista de Souza é o braço sul da Cruz da Babilônia.

8 Comentários

Arquivado em bicicleta

8 Respostas para “evangelista de souza

  1. claudio

    É uma pena que estas linhas de trem foram desativadas.
    Muito interessante a dica.
    Abraço.

  2. flavio duarte de souza melo

    gostaria de saber se tens voltado por lá. se passou pelo sitio do MARIANO. a anos que não ando pela região. quando pequeno, na epoca do Paulo Maluf. A gente fazia muito churrasco, por lá, tinha um amigo chamado zuza, que trabalhava, na rede ferroviaria. sinto saudades, bons tempos, vividos. Hoje com meus 54 anos, posso garantir, ali eu vivi, bons momentos da minha vida. A NATUREZA que DEUS, nos Da eu vivifiquei contemplei, e muito amo, aquela região, boas pessoas moram por lá. Que DEUS abençoe quem por lá estiver.

  3. Clauder

    Olá,

    Gostaria de falar com voce sobre sua experiencia no trajeto q fez da imigrantes p/ estrada da barragem ou vice versa

    Atenciosamente

    Clauder

  4. Pingback: canguera « vento na cara

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  6. José Carlos

    Olá, minha sogra mora em uma vila próxima à estação. Já tive a oportunidade de ir em um rio que está sob a primeira ponte logo após a estação evangelista de sousa e também na entrada da cachoeira do Jamil, é emocionante. Recomendo a todos que adoram natureza. O que eu gostaria de saber é se na estrada do curucutu há alguma represa ( adoro pescar). Um abraço .

  7. Neusa bueno dos Santos

    Gente eu morrei na serra quanto meu trabalhava na sorocabana,gente eu era feliz e não sabia.só tinha 8 casas nossa liberdade era completa,morava na turma 18,entre Ferraz e Pai Matias,era muito bom,depois meu pai mudou para Evangelista lugar muito gostoso tambem e a liberdade continuava,morrei 20 anos la,tenho muita saudades do meu tempo bom.

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