água de beber

A água que bebo, eu mesmo produzo em minha casa. Tem gente que compra água pronta, embalada em garrafas ou galões de plástico. Eu uso um filtro de barro.

Há cerca de 2500 anos os gregos já usavam aquedutos para transportar água. Hoje, água anda de Kombi. Onde será que a tal civilização falhou?

Em muitas casas, atualmente, toda água que se bebe é armazenada e transportada em recipientes de plástico, que é feito de petróleo. Olhe para uma avenida congestionada e tente imaginar que uma parte dos veículos que estão ali ocupando espaço e poluindo a cidade estão transportando água.

Falo disso como um fenômeno coletivo, é uma opção difícil de entender. Não serve o filtro de barro, não serve aquele filtro que fica preso ao cano da torneira, não servem nem mesmo aqueles sistemas de filtragem com cara de eletrodomésticos, que purificam e até gelam a água.

Existe a crença de que a água da torneira não presta. Nunca ouvi falar de ninguém que tenha passado mal ou contraído uma verminose por causa de água da torneira, e conheço muita gente que bebe água da torneira regularmente, sem filtragem.

Talvez o problema seja que a água filtrada em casa não tem marca, não tem telefone, não tem fonte, não tem certificado. Mesmo sem terem idéia de onde a água saiu (água mineral também pode estar contaminada), as pessoas preferem a ilusória garantia de uma embalagem azul com rótulo e lacre de segurança. Encontram nesses galões uma inexplicável sensação de confiança que, muito provavelmente, decorre simplesmente do gesto de pagar.

Alguns dirão que a água da torneira também custa. É verdade. Um litro de água mineral num galão azul sai em média por R$0,30. Um litro de água da torneira sai por R$0,00272. Água de plástico é apenas 110 vezes mais cara.

Hoje é comum ter que pagar pela água de beber, onde quer que você esteja. Muitos lugares públicos têm tomado o cuidado de remover todos os bebedouros para que o snack bar venda mais água mineral. Isso é tecnologia mercadológica! Agindo a favor deles, estão as pessoas que preferem “não arriscar” e não bebem nada que não tiver uma tampinha lacrada e um rótulo com uma marca. Ganham os comerciantes, ganham os engarrafadores, ganham os distribuidores, ganham os fabricantes de garrafas plásticas, ganha a indústria do petróleo.

A preferência generalizada pela água de plástico é um fenômeno pitoresco independe do dano causado pelo descarte. Agora que o meio ambiente entrou na pauta da vida cotidiana, algumas pessoas têm concluído que beber água da garrafinha talvez não seja muito legal, porque gera lixo.

Formidável. O resultado prático pode até ser o mesmo. Ao perceber isso, talvez algumas pessoas voltem a tomar água filtrada em casa. Mas acho difícil concluir que por trás disso exista algum questionamento de valores. Nessas condições, aqueles que deixarem de consumir água de plástico não o farão porque refletiram um pouco e concluíram que é ridículo água andar de Kombi. O farão apenas porque é ecologicamente incorreto.

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