meninões

Quando uso o termo ‘meninões’ neste blogue, certamente não estou me referindo a pessoas do sexo masculino, jovens e de tamanho grande, como a palavra poderia sugerir.

Uso ‘meninões’ para me referir a um grupo de pessoas que não se define por fatores como gênero ou faixa etária, mas sim por um tipo de comportamento. Especificamente, por um conjunto de atitudes relacionadas à forma como usam o automóvel.

Meninões são pessoas de qualquer gênero ou faixa etária que se comportam de maneira infantil quando dirigem um veículo. Além disso, ou talvez em decorrência disso, são geralmente bastante agressivas ao volante.

Crianças mimadas que são, os meninões têm uma necessidade incontrolável de chamar a atenção quando passam. Seja pelo som alto do carro, seja pelo barulho do motor, do turbo ou do escapamento, o fato é que eles precisam ser notados.

Entre as várias propriedades simbólicas do automóvel, uma delas se produz na maneira de dirigir. Podemos falar numa linguagem do automóvel, já que as atitudes e manobras transmitem mensagens que são facilmente interpretadas por qualquer pessoa.

Assim sendo, aproveitam o volante para expressar seus estados de espírito: dirigem com agressividade, utilizam o espaço público das ruas de maneira egoísta e imatura, aceleram para que todos saibam de sua pressa e sua ansiedade.

Aceleram com violência e dirigem em velocidade muito acima da razoável. Em uma via pequena e local, o espaço entre duas esquinas ou duas lombadas é uma oportunidade imperdível para demonstrarem a potência de seus motores e, portanto, sua superioridade: arrancam como se estivessem numa corrida, atingem a maior velocidade possível e freiam bruscamente no fim do trecho, completando a exibição.

Aliás, é exclusivamente graças aos meninões que as ruas da cidade estão cheias de lombadas.

Um psicólogo faria observações interessantes sobre as fontes profundas do comportamento desses meninões, eventualmente falando numa fase anal ou mesmo uma fase oral mal resolvida (sim, já ouvi isso de gente da área). Qualquer psicólogo-de-boteco costuma concluir que o meninão trata o carro como uma extensão do próprio pênis.

Seja como for, há meninões do sexo masculino e também do sexo feminino, ainda que os primeiros existam em maior número (alguém pode preferir falar em ‘meninonas’, mas meninões do sexo feminino me parece mais adequado). Todos exalam testosterona em seu comportamento. Lembram aqueles mamíferos chifrudos dos documentários sobre natureza, que se exibem ou brigam violentamente por território ou por acasalamento.

Há meninões de todas as idades, e aqui nem dá para falar em predominância entre os mais jovens. Por algum motivo, os meninões têm uma profunda necessidade de demonstrar um espírito jovem e ágil, e fazem isso na maneira de dirigir essa máquina de uma tonelada.

Como sabem que seu comportamento costuma desagradar, muitos deles praticam alguma técnica de luta e fazem questão de ostentar isso colocando no carro adesivos com letras japonesas ou nomes de academias. Uma forma simples de, por meio da intimidação, evitar alguma crítica pela sua irresponsabilidade.

Sobretudo uma forma de mostrar que, mesmo sendo desprovidos da maturidade mental necessária para conduzir um veículo, eles continuarão lá e estarão sempre com a razão.

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