sair de casa

Uma pesquisa feita pela Fundação SEADE fez um breve levantamento, nas diferentes regiões do município de São Paulo, dos hábitos de deslocamento de seus habitantes, assim como de sua percepção sobre oferta de serviços e equipamentos. Ainda que os dados sejam apresentados de maneira bastante sumária no relatório publicado, dá para ver ali algumas tendências regionais que parecem interessantes.

Para os efeitos da pesquisa, a cidade foi dividida em cinco regiões. Parte do que é usualmente chamado de zona sul e a zona oeste inteira foram integradas à região central, formando o que a pesquisa definiu como Centro Ampliado. Isso resultou em uma área de pesquisa que concentra boa parte da riqueza e da infraestrutura, que sabemos serem muito mal distribuídas pelo território da cidade. A zona leste foi dividida em duas, resultando em cinco zonas de análise.

Zonas definidas para análise dos dados. Fonte: Fundação SEADE, 2020.

A divisão entre Leste 1 e Leste 2 feita pelo estudo implica diretamente uma dimensão espacial que opõe proximidade e distância do centro: temos uma zona leste geograficamente central e uma zona leste geograficamente periférica. É nessa oposição que aparecem bem claramente as diferenças entre o centro e a periferia. Apesar da divisão geral da cidade em cinco áreas de pesquisa, em muitos casos os dados são apresentados somente em quatro zonas sem qualquer justificativa ou comentário a esse respeito, sendo Leste 1 e Leste 2 agregadas em uma única zona denominada simplesmente Leste.

A pesquisa revelou que 22,3% dos moradores de São Paulo não costumam sair de casa por outros motivos que não trabalho ou estudo. Esse número é maior ainda se considerada apenas a região Norte da pesquisa (29,1%). O Centro Ampliado é a região em que esse número é menor (18,7%).

Parcela de paulistanos que não costumam sair de casa, por região de moradia. Fonte: Fundação SEADE, 2020.

Entre os motivos para não sair de casa, entre as respostas aparentemente estimuladas, predomina “prefere ficar em casa / não gosta de sair” (53%), seguida por “falta de dinheiro” (24%). O relatório apenas menciona textualmente algumas particularidades por região, sem apresentar dados. Diz também que insegurança não aparece entre os principais motivos para ficar em casa, sem no entanto apresentar a lista de respostas possíveis a essa pergunta.

Há diferenças interessantes entre as regiões naquilo que leva as pessoas a saírem de casa, para além de trabalho ou estudo. Essa pergunta, com possibilidade de respostas múltiplas, revelou um dado intrigante: os moradores da zona sul saem bem mais para fazer compras (44%) do que a média do município (35%), e muito mais do que os moradores da zona norte (25%).

Parcela de paulistanos que costuma ir a comércio, por região de moradia. Fonte: Fundação SEADE, 2020.

Uma discrepância tão grande entre dados das regiões é bastante curiosa, apontando para diferenças significativas nos hábitos cotidianos. Permite até suspeitar quanto a uma possível falta de uniformidade na aplicação dos questionários, afetando a compreensão dos entrevistados quanto à abrangência da pergunta.

Com relação às saídas para atividades culturais e atividades esportivas, o Centro Ampliado apresentou um percentual (15% nos dois casos) bem acima da média do município (8% para atividades culturais; 10% para atividades esportivas) e mais ainda se comparado às outras três regiões (nestas questões, os dados de Leste 1 e Leste 2 aparecem agregados, sem qualquer explicação).

Parcela de paulistanos que costuma ir a atividades culturais e atividades esportivas, por região de moradia. Fonte: Fundação SEADE, 2020.

A pesquisa mediu a percepção dos moradores quanto à oferta de infraestrutura pública de convivência, lazer e esportes, como quadras, clubes, praças e parques. A disparidade entre Leste 1 e Leste 2 é bem marcada.

Percentual de domicílios segundo a percepção dos moradores sobre a disponibilidade de equipamentos próximos, por região de moradia. Fonte: Fundação SEADE, 2020.

Interessante notar que, no quesito praças e parques, o dado de percepção dos moradores em Leste 1 é maior inclusive que no Centro Ampliado, que apresenta os melhores indicadores na maioria dos dados da pesquisa.

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