carros elétricos e a cidade do futuro

Os automóveis elétricos chegarão mais cedo ou mais tarde, e a tendência é que eles substituam a frota de veículos movidos a combustível. Muitas pessoas estão vendo nisso a grande salvação para a mobilidade urbana, pois acreditam que os carros elétricos vão eliminar os males causados pelos carros com motor de combustão.

Para sistematizar um assunto e facilitar sua compreensão, tabelas e listas comparativas são recursos bastante didáticos. O próximo passo seria desenhar, mas vou assumir que por enquanto isso é desnecessário.

Segue então uma breve lista para ajudar a avaliar até onde vai essa melhoria.

males dos automóveis com motor de combustão

  1. Produzem gases tóxicos, material particulado e mau cheiro.
  2. Fazem muito barulho.
  3. Alimentam a demanda por petróleo, que motiva guerras e intervencionismo na disputa pelas jazidas.
  4. Provocam grandes catástrofes humanas e ambientais, decorrentes do derramamento de petróleo nos oceanos, vazamento de oleodutos e tanques de gás, explosão de refinarias.
  5. Têm alto poder de letalidade em atropelamentos e colisões.
  6. São usados para intimidar os outros na disputa por espaço nas vias.
  7. Favorecem o espalhamento das cidades, a gentrificação e o afastamento entre a maioria das pessoas e os serviços disponíveis, comprometendo de forma ampla o direito à cidade.
  8. Oferecem uma proteção visual ao motorista, facilitando ainda mais a adoção de comportamentos agressivos, incivilizados e antissociais.
  9. Isolam as pessoas umas das outras, afetando o convívio social, destruindo comunidades e contribuindo com a epidemia de distúrbios psiquiátricos.
  10. Geram demanda por vagas de estacionamento em locais públicos e privados, fazendo com que um espaço precioso seja retirado das pessoas e reservado para máquinas ficarem paradas.
  11. Produzem um padrão de convivência em que os outros tendem a ser vistos como obstáculos ou como rivais na disputa por um espaço altamente escasso.
  12. Modificam sensivelmente a paisagem urbana, que fica entulhada desses objetos de metal e vidro opaco quando poderia ser dominada por árvores, pessoas conversando, crianças brincando, obras arquitetônicas, arte urbana, paisagismo, montanhas, horizonte de vida.
  13. Ao proporcionar deslocamentos com pouco esforço e muitos privilégios, estimulam comportamentos infantis, típicos de crianças mimadas.
  14. Favorecem o sedentarismo, aumentam a preguiça, a obesidade e a incidência de doenças cardíacas e distúrbios do aparelho digestivo.
  15. Dispondo de equipamentos que podem ser usados para agredir, estimulam a intolerância e promovem uma lógica egocêntrica de ocupação do espaço comum.
  16. Contando com fortes incentivos e subsídios públicos, colaboram para a perda da prática de caminhar, provocando a desertificação das ruas e consequente aumento da sensação de insegurança, o que naturalmente alimenta a indústria do medo, para a alegria de uns poucos.
  17. Pelos mesmos motivos, com as caminhadas cada vez mais raras, comprometem o acesso a pequenos comércios e serviços locais, provocando o desaparecimento desse tipo de atividade econômica e a migração dessa demanda para grandes empreendimentos comerciais, para a alegria de uns mais poucos ainda, aumentando a desigualdade econômica e social.

Acho que está bom, né? Esta lista está longe de ser exaustiva, pois isto aqui não é nenhum doutorado. E eu imagino que você esteja curioso para ver logo a lista de males dos automóveis com motor elétrico, afinal ela deve ser bem menor. Passemos a ela.

Como em uma versão textual do Jogo dos Sete Erros, observe atentamente e procure encontrar as diferenças, que talvez nem cheguem a sete…

males dos automóveis com motor elétrico

  1. Produzem gases tóxicos, material particulado e mau cheiro. [ELIMINADO]
  2. Fazem muito barulho. [ELIMINADO]
  3. Alimentam a demanda por lítio, componente essencial das baterias elétricas, o que certamente motivará guerras e intervencionismo na disputa pelas jazidas.
  4. Provocarão grandes catástrofes humanas e ambientais, decorrentes do descarte massivo de lítio e outros componentes das baterias elétricas.
  5. Têm alto poder de letalidade em atropelamentos e colisões.
  6. São usados para intimidar os outros na disputa por espaço nas vias.
  7. Favorecem o espalhamento das cidades, a gentrificação e o afastamento entre a maioria das pessoas e os serviços disponíveis, comprometendo de forma ampla o direito à cidade.
  8. Oferecem uma proteção visual ao motorista, facilitando ainda mais a adoção de comportamentos agressivos, incivilizados e antissociais.
  9. Isolam as pessoas umas das outras, afetando o convívio social, destruindo comunidades e contribuindo com a epidemia de distúrbios psiquiátricos.
  10. Geram demanda por vagas de estacionamento em locais públicos e privados, fazendo com que um espaço precioso seja retirado das pessoas e reservado para máquinas ficarem paradas.
  11. Produzem um padrão de convivência em que os outros tendem a ser vistos como obstáculos ou como rivais na disputa por um espaço altamente escasso.
  12. Modificam sensivelmente a paisagem urbana, que fica entulhada desses objetos de metal e vidro opaco quando poderia ser dominada por árvores, pessoas conversando, crianças brincando, obras arquitetônicas, arte urbana, paisagismo, montanhas, horizonte de vida.
  13. Ao proporcionar deslocamentos com pouco esforço e muitos privilégios, estimulam comportamentos infantis, típicos de crianças mimadas.
  14. Favorecem o sedentarismo, aumentam a preguiça, a obesidade e a incidência de doenças cardíacas e distúrbios do aparelho digestivo.
  15. Dispondo de equipamentos que podem ser usados para agredir, estimulam a intolerância e promovem uma lógica egocêntrica de ocupação do espaço comum.
  16. Contando com fortes incentivos e subsídios públicos, colaboram para a perda da prática de caminhar, provocando a desertificação das ruas e consequente aumento da sensação de insegurança, o que naturalmente alimenta a indústria do medo, para a alegria de uns poucos.
  17. Pelos mesmos motivos, com as caminhadas cada vez mais raras, comprometem o acesso a pequenos comércios e serviços locais, provocando o desaparecimento desse tipo de atividade econômica e a migração dessa demanda para grandes empreendimentos comerciais, para a alegria de uns mais poucos ainda, aumentando a desigualdade econômica e social.

Portanto, aí está. Seja bem-vindo à cidade do futuro!

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